Tropismos mediterrânicos
Manuel Teixeira gomes era uma viajeiro nato. Abandonados os estudos, embora seduzido pela boémia, optou por conciliar a independência económica com o prazer da viagem:
«Fiz-me negociante, ganhei bastante dinheiro e durante quase vinte anos (1890-1910) viajei, passando em portugal poucos meses. Montei a vida de forma que na região compreendida pelo norte da França, a Bélgica e a Holanda, onde vendia os produtos do Algarve, levava quatro ou cinco meses; ia a casa liquidar contas, e depois nos cinco ou seis meses restantes, livre e despreocupado, metia-me no Mediterrâneo, cujas costas visitei por assim dizer, passo a passo.»
Regressos, Lisboa, Seara Nova, 1935


Um blogue para acabar com o esquecimento de Manuel Teixeira-Gomes. Uma viagem de regresso de Bejaia a Portimão. Estimulante. Teixeira-Gomes amava a escrita indolente, a partir da observação, das referências culturais e, sobretudo, da sensualidade. E a escrita, para ele, mais não era do que o prolongamento da viagem. Por isso, viajava devagar, não como turista, mas como viajante libertino. Recortando com o olhar a costa mediterrânica, adentrando-de depois na terra, escapando às multidões, entrando num museu esquecido, o mumdo inteiro num quadro, uma igreja em ruínas. A viagem, escrita as mulheres. Voluptuosamente.