Bejaia (Bougie)
Norberto Lopes foi o único visitante intencional do ex-presidente, no seu exílio na Argélia. Em 1938 entrevista Manuel Teixeira Gomes, toma com ele uma taça de champanhe na pacatez do quarto nº 13 do Hotel L’Étoile. Desta amena e um pouco amargurada conversa resulta o livro O exilado de Bougie. É asim que Norberto Lopes nos apresenta Bougie:

«Estamos em face do mar, que aqui forma uma enseada de curvas elegantes enquadrada entre dois sistemas de montanhas. Na vertente duma delas, construída em anfiteatro, ergue-se a cidade mais graciosa, mais alegre, mais florida, mais bem situada do norte de África. É Bougie. Do outro lado do golfo vêm morrer os últimos contrafortes da Kabília, cobertos de neve nesta época do ano. O sítio tem este duplo encanto: de um lado o mar, sereno e azul, que imprime ao clima uma tendência temperada (deve acrescentar-se, no entanto, que Bougie é a cidade mais húmida da Argélia); do outro lado, uma cordilheira ininterrupta de montes escalvados e ponteagudos, que se perfilam no horizonte, num colorido suave de branco e violeta.
Na parte mais central da cidade, construído sobre um terraço sobranceiro à baía, ergue-se o Hotel l’Étoile. É ali que vive há sete anos e cinco meses, completamente isolado, sem relações, sem visitas, sem amigos próximos, fazendo uma vida de asceta, o antigo presidente da República sr. Manuel Teixeira Gomes.»
Norberto Lopes. O exilado de Bougie. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1942
