A família de Manuel Teixeira Gomes I

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Na madrugada do dia 27 de Maio de 1860, nasceu na antiga rua dos Quartéis, em Vila Nova de Portimão, o terceiro filho de José Libânio Gomes Xavier e Maria da Glória Teixeira. Ana e Maria da Glória eram de tenra idade, com cinco e dois anos, respectivamente. Mais tarde nasceria o irmão mais novo de Manuel Teixeira Gomes, José, aquele que lhe sucederia na gestão dos negócios familiares quando a representação de Portugal o levou à corte do rei Jorge V, em 1911. José Libânio Gomes, negociante abastado, nascera em plena monarquia constitucional, dez anos antes de o Remexido inquietar o Algarve com a sua guerrilha em prol da restauração do absolutismo. Republicano convicto, descende de homens do Norte (Mortágua, Viseu) e de mulheres de Portimão e de Alvor. Ao contrário, sua esposa, D. Maria da Glória Teixeira, descendia de famílias de Vila Nova e dos concelhos vizinhos (Silves, Lagoa e Monchique). Manuel Gomes Xavier de Ataíde, avô paterno de Manuel Teixeira Gomes, foi alferes da Legião Lusitana ainda antes da ordem de marcha do general Junot para combater na Europa. Decerto que a sua experiência militar nas campanhas napoleónicas lhe possibilitaram a abertura ideológica necessária à futura adesão aos ideais liberais vintistas. Com várias condecorações, era tenente de Infantaria em 1823, e comandante do destacamento de Portimão em 28 de Maio de 1828 quando foi preso por ordem de D. Miguel e encarcerado no Limoeiro onde veio a morrer. José Libânio Gomes tinha apenas nove anos de idade quando seu pai faleceu. Como ele, também rumaria a França, em 1845, não para a guerra, mas para aprender com um negociante de frutos secos, em Rouen, as artes do comércio. Em 1849 já iniciava em Portimão as bases do negócio que levaria seu filho Manuel a percorrer os mercados da Europa. A qualidade dos seus frutos secos valeu-lhe uma medalha na Exposição Internacional de Londres de 1851. Quatro anos depois é de novo premiado na Exposição Internacional de Paris, vindo a integrar a Comissão da secção Portuguesa à Exposição Universal de Anvers em 1894. Entretanto, já criara uma Parceria para a Exportação de Figos do Algarve com outros comerciantes locais. A sua dinâmica comercial facilitou as suas relações pessoais e políticas. A sua nomeação como cônsul da Bélgica em Portimão em 1861 é o prelúdio de uma longa era de actividade diplomática que confere a esta família de comerciantes um carisma social que se prolongou até aos nossos dias na pessoa do seu bisneto, o Dr. José Manuel Pearce de Azevedo, cônsul honorário Britânico no Algarve por mais de três décadas.

Protagonista maior da vida política portuguesa, Manuel Teixeira Gomes acrescentou à herança familiar a criação literária, traçada no prazer da viagem, no culto pela arte e na sedução do amor.

Maria da Graça A. Mateus Ventura

Foto: Pais de M. Teixeira Gomes

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~ por MGMV em Novembro 25, 2007.

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